quinta-feira, 17 de setembro de 2009

E... Você trabalha também?

Quando criança, meu sonho era ser professora. Meus irmãos que o digam, coitados, eram obrigados a brincar de escolinha, com dever de casa e tudo, as férias inteirinhas. E eles sobreviveram à irmã-mais-velha-tirana!

Quando chegou a hora de escolher a minha profissão 'pro resto da vida', minha mãe passava por uma fase de greves e reivindicações não-atendidas na carreira de professora dela. Um momento difícil pra todos nós e decidi fazer outra coisa da minha vida. Fiz um segundo grau técnico, estágios em vários escritórios, fui pra faculdade e me formei arquiteta. Até dei aula de catequese para crianças por dois anos, mas achei que o sonho de ser professora tinha ficado pra trás.

Pois é... A vida dá muitas voltas. E assim, fui pro Japão fazer uma especialização, voltei a Curitiba, comecei a dar algumas aulas de japonês. E como a vida dá muitas voltas mesmo, casei, me mudei pro Rio, terminei meu mestrado. E consegui uma vaga de professora de Urbanismo em uma universidade perto de casa. E depois, comecei a dar aulas de japonês. Minha irmã até brincou: "Ahá, vai virar professora profissional!!"

Foi quando dava aula em Curitiba ainda, aconteceu a primeira vez. Um aluno me perguntou: "Sensei, você dá aulas, mas você também trabalha?" Foi uma pergunta intrigante. Eu dava aulas porque gosto muito deste contato com pessoas. Gosto de falar das minhas experiências e de ver que os alunos enxergam as coisas de outro modo. Aprendo muito. E, dando aulas, a gente pode ter contato com pessoas diversas, de um modo bem democrático. Sim, naquela época, eu trabalhava num escritório e me desdobrava para conciliar as viagens do escritório com os dias das aulas. Mas nunca tinha pensado que um era trabalho e outro não. Gostava dos dois, ué.

Outro dia, já no Rio, numa discussão em sala de aula sobre os rumos da cidade e da sociedade, alguém falou que quem sabe faz e quem não dá certo na profissão vira professor. O QUÊ?? Eu me matava pra preparar as aulas, levava dias pesquisando pra montar o material, lia todos os trabalhos (alguns muito ruins, diga-se de passagem) e nem recebia, pois a universidade estava em crise. Tudo isso pra ouvir ISSO?? Nossa, não sei nem descrever o que senti naquele momento. Respirei fundo, não mandei aquela voz praquele lugar e continuei. Sim, porque o tal do contato democrático com pessoas diversas tem este risco. E "o que não me mata, me fortalece".

Hoje, dou aulas de japonês e faço coisinhas de patchwork. Ambas parecem um passatempo, já que não bato ponto e tenho horário flexível. Tem o lado bom de poder tomar um café ou ver um filme no meio da tarde de um dia de semana. Por outro lado, meu trabalho começa quando as outras pessoas têm folga, ou seja, dou aulas na hora do almoço e à noite, tenho eventos da escola em finais de semana, entrego e pego encomendas em encontros de amigos e nas férias com a família. Mas eu gosto! Não sou muito fã de rotina e gosto dessa bagunça. É, confesso que a administração do tempo é algo muito difícil pra mim e muitas vezes me enrolo toda...

E ainda hoje as pessoas me perguntam: "Você só costura e dá aula ou trabalha também?" Sabe, depende do ponto de vista. Se trabalhar for fazer algo chato, num lugar chato, só pra pagar as contas, nào, não trabalho. Eu ralo bastante, mas me divirto, vejo as pessoas sorrindo quando vêem meus produtos, sinto os alunos querendo saber mais da cultura e da vida de um país láá do outro lado do mundo. Então sorrio também! E ainda consigo pagar as minhas contas!

18 comentários:

Mary disse...

Ah, já ouvi muito isso também: Você trabalha ou só dá aula? A resposta é "nunca trabalhei tanto".

Te entendo perfeitamente : )

harumi disse...

é, mary... quando escrevi esta frase, adivinha se não lembrei das nossas conversas sobre o magistério?

beijoca, comadre!

Julio disse...

Quando estava fazendo doutorado fui visitar uns parentes na cidade onde nasci, em Joaçaba. Uma tia fez a mesma pergunta: - Você "só" está estudando e lecionando? Depois comecei a perceber que muita gente vê a coisa assim mesmo. Bom, hoje eu "só" estudo, leciono e divido a criação do Nuno com a Carla, hehehe.

Julio disse...

Ahh, bjs

Drica Menezes disse...

ahhh eu já ouvi mto isto! Sou professora 40 horas semanais, e estou ficando doida de tanto trabalhar (trabalho em uma escola enorme!) e todo este descaso da sociedade com o magistério é desanimador.... por isto q em 2010 vou reduzir a minha carga horária, ganhar menos, mas ser mais feliz... e enfim poder me dedicar mais aos crafts q tanto amo! bjks!

harumi disse...

oioi, Julio! SÓ estuda, leciona, cuida do Nuno e divide a vida com a Carla? meudeusdocéu! imagine se fizesse mais! rsrs. beijoca.

oioi, Drica!Ser feliz é a ordem do dia, né? aliás, a ordem de sempre! (^.^) beijoca.

Jane disse...

acho sinceramente que os professores deviam ser mais valorizados.
beijos.

Coisinhasdalili disse...

Olha, eu não trabalho mesmo! Faço patch e tenho uma pousada, que tal?
A pergunta sempre é: o que vc faz durante a semana? Vc trabalhava em quê?hahha
Em dia de TPM com rinite, pode dar até morte!kkk
Adorei o post

Nina disse...

Qnd entrei pra faculdade de História, ñ queria mesmo ser professora. Sempre me achei uma pessoa sem paciência demais pra isso, apesar de achar a profissão mais digna do mundo. Depois de um tempo, até achei q tinha jeito pra coisa, mas acabei não fazendo a licenciatura. Hoje sou professora de Tae Kwon Do, para criancinhas de 4 a 12 anos (o q exige MUITA paciência! rs).
Vai parecer discurso de historiadora revolucionária, mas vou dizer o q eu acho sobre esse comentário da galera... Nesse país a educação é tão desvalorizada, q tem gente q ñ considera o magistério uma profissão. Mas, se pararmos pra pensar, por trás de qualquer profissão que seja, existe um professor q rala muito pra nos formar.
Ano q vem vou pro Japão e devo tudo aos meus professores... Em especial às minhas senseis. Né? ^.^

harumi disse...

Oioi, Jane! bom te ver por aqui! (^.^)

Nossa, Lili, vc não trabalha MESMO!! hahahahaha. quem fala isso é quem nào vê as coisas lindas que vc faz!!!! beijoca.

Nina-san! virou professora de qquer modo, né? hehehe... sou muito orgulhosa de vc e feliz por ter te conhecido! ah, mas isso eu já disse!
beijoca.

Luciana disse...

Eu "não trabalho", só faço artesanato. hehe
Por isso, hoje à tarde fui ao cinema com duas amigas!

Bjoka e bom fim de semana!

Carla, Julio e Nuno disse...

Ha!!! Você é o máximo! E sabe, eu também não faço nada. Só crio e curto o Nuno, curto muito o maridão. E ainda, pra me divertir faço uns pequenos projetos e estamos quase terminado livro!!! Meu! É só festa o dia inteiro! O que vai ser de mim! Beijosss

Eri disse...

Nuossaaa.... Quem fala que magistério não é profissão realmente não sabe o que é ter que preparar aula, lidar com TODOS os tipos de pessoas possíveis, bolar explicações interessantes pra coisas abstratas (tipo kanji!), ler e reler trabalhos, corrigir provas... E estar sempre sorrindo, sempre tentando passar bom humor.
Infelizmente, aqui no Brasil, o magistério ainda é visto como uma profissão menor. Maaaas mesmo assim, eu amo o que faço, e faço tudo com amor!

Kisu kisu, Harumi-chan! ^^v

harumi disse...

oioi, Lu! ah, que coisa mais gostosa! é muito bom cinema com amigas, não é?!

Carlitcha, o que vai ser de vc não sei..... mas eu não conseguiria levar este seu ritmo, já te disse, né? beijoconas.

Eri-chan! bom te ver por aqui! (^.^) estamos aí, na luta, pra bolar explicações interesaantes e mirabolantes pras coisas mais que abstratas! hehe. kisu kisu procê tb!

Anônimo disse...

Oi, aqui é a Carolina!Eu ouço outra coisa sempre...." e aí, AINDA está dando aulas?" Parece que dar aulas é uma condição temporária de um recém formado que não sabe o que quer da vida, e não uma profissão, um caminho pra vida... Mas enfim é só mais um dos inúmeros estereótipos que existem por aí. Como dizia uma música,"cada um (nós!!!)sabe a dor e a delícia de ser o que é...". Quem está fora só vê a casca e julga tudo com base no que a maioria fala, não se dão ao trabalho de saber a fundo sobre nosso universo paralelo(!). Acho que ensinar é doar o que temos de bom, e doar é amar, coisa que muitas vezes sentimos muita falta na vida real...

Anônimo disse...

corrigindo o comentário acima...não é estereótipo que quis dizer, é preconceito..

Renata disse...

Adorei!!!
Posso te ouvir dizendo essas coisas!
bjo

harumi disse...

(^_^)